Maria Joaquina Fernandes Pereira
Sendo que a trato por Joaquina (o nome verdadeiro é bem mais bonito, garanto), porque para mim é um nome especial e único e perfeito para ela.
Talvez não pecebam algumas coisas. E eu ralado. São minhas e dela...
Mas logo ela vai ler este texto.
Vamos a isso: eu, ela e vocês.
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Existe? Recapitulemo-nos? Deve existir. Ou passa a.
O título poderia ser reinventemo-nos… Ou qualquer coisa que sugira um olhar para nós [os dois] num tempo situado entre os pretéritos e o agora.
Quem diria. E o texto acabaria aqui. Recapitularmo-nos resume-se a isso: quem diria.
Vamos a factos. Do passado recente.
Primeiro peço os teus ouvidos e não quero mais nada. Como resposta, levo com algo como “também quero os teus”.
E depois vieram os momentos. Um lanche, a chuva, um chapéu-de-chuva esquecido, um filme de uma menina que podíamos ser nós, uns textos, umas músicas, um miradouro [que insiste não ser dos dois], a partilha do tempo que pensamos não ter e a descoberta das coisas que pensávamos que só tinham eco nas paredes dos nossos castelos.
E agora?
Agora percebe-se. Percebe-se a inevitabilidade. Ou melhor, percebe-se que é bom sermos inevitáveis no percurso um do outro: porque nos ouvimos, porque nos entendemos, porque nos lemos sem coisas escritas. Tudo ritmado, tudo com progresso, tudo com conquista. Tudo perfeito.
“Fazes-me bem. Gosto de estar contigo.” – Eu sei. Já te disse que sei.
“É bom ter-te da minha vida”. Porque disseste isto? Para me transformares numa poça de baba? Conseguiste. Para me premiares? Medalha de ouro. Para me dares a chave da tua muralha? 7 chaves de prata. Sabes como foi bonito ler isto?
Volto aos nossos castelos. Batalhar contigo é saboroso. Como se eu tivesse o meu castelo e tu o teu e estivéssemos a mostrar fotos um ao outro, ou a deixar que espreitemos lá para dentro. E enquanto deixamos espreitar, mostramos as nossas armas de guerra: a minha arma é a minha mão a convidar a tua a pousar sobre ela e tua arma é a tua mão a perceber que a minha é quente.
Conquista. É mesmo a palavra certa. Conquisto-te aos bocadinhos: os bocadinhos que me deixas ver do teu castelo. E deixo-me conquistar, com a palma da minha mão virada para cima à espera da tua. Tão simples, tão puro. Para quê dizer não a uma conquista destas? Eu gosto de espreitar castelos. E a minha mão não treme.
Descubro todos os dias um motivo melhor para ter a certeza que fiz a coisa certa, ao abordar-te tão violentamente “Olá, eu sou o assim-assado e quero que me ouças!”. E quanto mais o tempo passa, mais me deixas espreitar. A minha maior vitória contigo é sempre a última. Queres prova?
Acalmei-te. Ouvi-te, deixei-te gritar e espernear e desesperar! O dragão do castelo a cuspir fogo. “vou para Évora, vou-me embora ontem, vou fugir!”.
E depois, estendi a minha mão quente e tu pousaste a tua. Consegui que me ouvisses. E ouvi-te respirar. Ouvi o teu alívio. Uma espécie de água fresca com gás para o dragão. Perfeito.
É um desespero quando desapareces: nas tuas doenças, nos teus exames, no teu sono, no teu pó, no lado escuro da tua psicologia, no sei-lá-mais-o-quê! Fico zangado! Anda lá ao miradouro!
Não és um alvo. Nem uma zona de conforto. Nem velha. És a Maria Joaquina. És um castelo com guardas, com um fosso, com uma princesa, com nobreza, com povo, com cavaleiro, com ferreiro, com torres. És a mistura de tudo isto. E o que quero é conquistar as partes do castelo que me deixares espreitar e misturá-las à minha maneira.
E é por isso que és bonita: porque conhecer o teu castelo é bonito. E pronto, porque tens essa cara gira como sei lá e que… Já parei!
E és bonita porque ris e sorris comigo e fazes caras sérias e vozinhas (que nem deste conta). E porque às vezes digo coisas e os teus olhos brilham (pois…).
Sim, sei ouvir-te. Um puto que sabe ouvir-te. Que nós sejamos um exemplo para os complexados e os preconceituosos.
E o que me dás a mim? Sensação de segurança. Confiança, como se me emprestasses a tua. Menos medo que a minha maior insegurança me vença (interpretar mal e ser mal interpretado). Isto resumindo…
Recapitulo-me: gosto de ti porque me fazes escrever estas coisas e ter pensamentos puros, gestos de afecto, vontade de cuidar bem. E porque (nó na garganta) sinto liberdade quando estás na minha vida. E sentirmo-nos livres ao pé de alguém, é uma vitória diária.
Que dure esta conquista.
Obrigado, minha querida Joaquina. Vemo-nos no presente e no futuro.




