quarta-feira, 11 de Março de 2009

Recapitulemo-nos

Premissa: o nome verdadeiro da moça foi naturalmente substituído... Ficamos com:

Maria Joaquina Fernandes Pereira

Sendo que a trato por Joaquina (o nome verdadeiro é bem mais bonito, garanto), porque para mim é um nome especial e único e perfeito para ela.

Talvez não pecebam algumas coisas. E eu ralado. São minhas e dela...

Mas logo ela vai ler este texto.

Vamos a isso: eu, ela e vocês.
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Existe? Recapitulemo-nos? Deve existir. Ou passa a.

O título poderia ser reinventemo-nos… Ou qualquer coisa que sugira um olhar para nós [os dois] num tempo situado entre os pretéritos e o agora.

Quem diria. E o texto acabaria aqui. Recapitularmo-nos resume-se a isso: quem diria.

Vamos a factos. Do passado recente.

Primeiro peço os teus ouvidos e não quero mais nada. Como resposta, levo com algo como “também quero os teus”.

E depois vieram os momentos. Um lanche, a chuva, um chapéu-de-chuva esquecido, um filme de uma menina que podíamos ser nós, uns textos, umas músicas, um miradouro [que insiste não ser dos dois], a partilha do tempo que pensamos não ter e a descoberta das coisas que pensávamos que só tinham eco nas paredes dos nossos castelos.

E agora?

Agora percebe-se. Percebe-se a inevitabilidade. Ou melhor, percebe-se que é bom sermos inevitáveis no percurso um do outro: porque nos ouvimos, porque nos entendemos, porque nos lemos sem coisas escritas. Tudo ritmado, tudo com progresso, tudo com conquista. Tudo perfeito.

“Fazes-me bem. Gosto de estar contigo.” – Eu sei. Já te disse que sei.

“É bom ter-te da minha vida”. Porque disseste isto? Para me transformares numa poça de baba? Conseguiste. Para me premiares? Medalha de ouro. Para me dares a chave da tua muralha? 7 chaves de prata. Sabes como foi bonito ler isto?

Volto aos nossos castelos. Batalhar contigo é saboroso. Como se eu tivesse o meu castelo e tu o teu e estivéssemos a mostrar fotos um ao outro, ou a deixar que espreitemos lá para dentro. E enquanto deixamos espreitar, mostramos as nossas armas de guerra: a minha arma é a minha mão a convidar a tua a pousar sobre ela e tua arma é a tua mão a perceber que a minha é quente.

Conquista. É mesmo a palavra certa. Conquisto-te aos bocadinhos: os bocadinhos que me deixas ver do teu castelo. E deixo-me conquistar, com a palma da minha mão virada para cima à espera da tua. Tão simples, tão puro. Para quê dizer não a uma conquista destas? Eu gosto de espreitar castelos. E a minha mão não treme.

Descubro todos os dias um motivo melhor para ter a certeza que fiz a coisa certa, ao abordar-te tão violentamente “Olá, eu sou o assim-assado e quero que me ouças!”. E quanto mais o tempo passa, mais me deixas espreitar. A minha maior vitória contigo é sempre a última. Queres prova?

Acalmei-te. Ouvi-te, deixei-te gritar e espernear e desesperar! O dragão do castelo a cuspir fogo. “vou para Évora, vou-me embora ontem, vou fugir!”.

E depois, estendi a minha mão quente e tu pousaste a tua. Consegui que me ouvisses. E ouvi-te respirar. Ouvi o teu alívio. Uma espécie de água fresca com gás para o dragão. Perfeito.
É um desespero quando desapareces: nas tuas doenças, nos teus exames, no teu sono, no teu pó, no lado escuro da tua psicologia, no sei-lá-mais-o-quê! Fico zangado! Anda lá ao miradouro!
Não és um alvo. Nem uma zona de conforto. Nem velha. És a Maria Joaquina. És um castelo com guardas, com um fosso, com uma princesa, com nobreza, com povo, com cavaleiro, com ferreiro, com torres. És a mistura de tudo isto. E o que quero é conquistar as partes do castelo que me deixares espreitar e misturá-las à minha maneira.

E é por isso que és bonita: porque conhecer o teu castelo é bonito. E pronto, porque tens essa cara gira como sei lá e que… Já parei!

E és bonita porque ris e sorris comigo e fazes caras sérias e vozinhas (que nem deste conta). E porque às vezes digo coisas e os teus olhos brilham (pois…).

Sim, sei ouvir-te. Um puto que sabe ouvir-te. Que nós sejamos um exemplo para os complexados e os preconceituosos.

E o que me dás a mim? Sensação de segurança. Confiança, como se me emprestasses a tua. Menos medo que a minha maior insegurança me vença (interpretar mal e ser mal interpretado). Isto resumindo…

Recapitulo-me: gosto de ti porque me fazes escrever estas coisas e ter pensamentos puros, gestos de afecto, vontade de cuidar bem. E porque (nó na garganta) sinto liberdade quando estás na minha vida. E sentirmo-nos livres ao pé de alguém, é uma vitória diária.

Que dure esta conquista.

Obrigado, minha querida Joaquina. Vemo-nos no presente e no futuro.

segunda-feira, 9 de Fevereiro de 2009

Ela - a fase idiota I

Ora aí está.

A fase do "e agora?".

E agora, depois de percebermos que temos coisas em comum, depois de trocarmos intenções de continuarmos a partilha que começámos, depois de em tão pouco tempo se construir uma coisa que sabe bem e que, sem dúvidas, é para continuar por vontade dos dois?

Estrago tudo? Digo-lhe que gosto dela, de uma forma pura e contemplativa?

E se ela diz que não? Serei capaz mesmo de manter a minha teoria de partilhar-me por partilhar?

Não digo? E começo um jogo forçado de tentativa de sedução? Nem sou sedutor... Nem sou capaz de fazer jogos com esta rapariga.

E como é que digo? Com mais analogias? Dou-lhe a entender e espero que ela sinta o mesmo? Que absurdo...

"Olha, é só para dizer-te que isto da partilha é baril mas na verdade vê lá se te apaixonas rápido ou te declaras, para isto ser perfeito."

É que isto que eu sinto por ela, faz com que eu fale tudo! Eu tenho impulsos estúpidos de extrema honestidade com a moça. Logo, não vou conseguir esconder muito tempo à própria que ela é, digamos, deslumbrante e esperta e atenta... Eh pá, que me faz sentir bem.

E se ela reagir mal? Como é que eu fico?

E se ela reagir bem? O que é que eu faço?

Há manuais para isto? Mas eu não quero manuais com esta rapariga!!

"Porra! Gosto de ti! Gostas de mim?" - é isso...

Socorro.

Por favor...

quarta-feira, 28 de Janeiro de 2009

Ela - o jantarito

Fui jantar com ela. Coisa leve, no intervalo do trabalho.

É segura, é confiante, é madura, acredita em si, é conversadora. Ri, sorri e tem mais não sei quantas expressões.

E é gira. Muito gira. Gira, gira, gira, gira... Até dizer chega.

E o cabelo é mais claro do que o arenito.

Sem expectativas. Vou aproximar-me, no tom em que me sinto confortável: no da partilha e da honestidade. Se os dois percebermos que há muito que queremos partilhar, quem sabe...

Nunca me senti tão confortável e tão fora dos jogos cheios de lugares-comuns da sedução típica. Não estou a seduzi-la! Estou a dar-me!

E ela quer partilhar-se também. Perfeito. Só com isto, já me apetece brindar.

De qualquer forma, este espanto quando olho para ela, ninguém mo tira.; mesmo que perca tudo o resto. O espanto e esta minha iniciativa de ter coragem de dizer-lhe "gosto de partilhar-me contigo". Aplaudo-me, se a vaidade não se importar.

quinta-feira, 22 de Janeiro de 2009

Som do croquete 16


Donna Maria - Vinho do Porto




Primeiro a serra semeada terra a terra
Nas vertentes da promessa
Nas vertentes da promessa
Depois o verde que se ganha ou que se perde
Quando a chuva cai depressa
Quando a chuva cai depressa

E nasce o fruto quantas vezes diminuto
Como as uvas da alegria
Como as uvas da alegria
E na vindima vão as cestas até cima
Com o pão de cada dia
Com o pão de cada dia

Suor do rosto para pisar e ver o mosto
Nos lagares do bom caminho
Nos lagares do bom caminho
Assim cuidado faz-se o sonho e fermentado
Generoso como o vinho
Generoso como o vinho

E pelo rio vai dourado o nosso brio
Nos rabelos duma vida
Nos rabelos duma vida
E para o mundo vão garrafas cá do fundo
De uma gente envaidecida
De uma gente envaidecida

Vinho do Porto
Vinho de Portugal
E vai à nossa
À nossa beira mar
À beira Porto
À vinho Porto mar
Há-de haver Porto
Para o nosso mar

Vinho do Porto
Vinho de Portugal
E vai à nossa
À nossa beira mar
À beira Porto
À vinho Porto mar
Há-de haver Porto
Para o desconforto
Para o que anda torto
Neste navegar

Por isso há festa não há gente como esta
Quando a vida nos empresta uns foguetes de ilusão
Vem a fanfarra e os míudos, a algazarra
Vai-se o povo que se agarra pra passar a procissão
E são atletas, corredores de bicicletas
E palavras indiscretas na boca de algum rapaz
E as barracas mais os cortes nas casacas
Os conjuntos, as ressacas e outro brinde que se faz

Vinho do Porto vou servi-lo neste cálice
Alicerce da amizade em Portugal
É o conforto de um amor tomado aos tragos
Que trazemos por vontade em Portugal

Se nós quisermos entornar a pequenez
Se nós soubermos ser amigos desta vez
Não há champanhe que nos ganhe
Nem ninguém que nos apanhe
Porque o vinho é português


Carlos Paião

Ela

Ela é gira. É sorridente. Tem cabelo comprido, da cor do arenito. É elegante. Tem uma voz marcante. Ela ri-se. Ela brinca. Ela preocupa-se. Ela ouve e responde. Ela é atenta.

Ela causa-me aquela coisa de querer dizer-lhe tudo. Penso nela ao meu lado. Penso na voz dela. Penso na próximo gesto que a agrade. Escolho as melhores palavras para comunicar com ela.

Declarei-me. Subtilmente, ainda. Disse-lhe que quero dar-lhe um bocado de mim, dividir-me.

Ela aceitou receber o que tenho para dar-lhe. Eu dou-lhe a minha verdade, toda. Em troca, só quero a atenção e a presença dela.

Depois? Depois vem o que virá. Que venha ela toda, porque o que eu tenho quer pensar que encaixamos.

Amanhã outro dia. Outro dia destes.

Finalmente, o que sempre quis: ter coragem para dizer a uma rapariga: quero e aceito tudo o que queiras dar.

Porra, apaixonei-me...

domingo, 18 de Janeiro de 2009

Título impossível I

A vida corre-me melhor. Percebi que passava demasiado tempo a queixar-me. De tudo. E mais alguma coisa. E ainda de outra coisa qualquer. Agora apenas me queixo.

Queixo-me mas com uma diferença: falo mas não fico quieto. Está-se mal no trabalho? Muda-se. Muda-se o trabalho, as habilitações, o local... Qualquer coisa: muda-se.

A médio prazo, mudo a sério e faço o meu plano de vida no interior. Hei-de ir lá parar. Mas até lá, não me queixo de Lisboa.

Parece-me que tenho uma paixonite, uma paixopontual, uma paixoparvoíce, uma paixo-qualquer-coisa. Só não digam que estou apaixonado, porque ainda acredito e neste momento apetece-me estar em negação. Estar apaix... qualquer-coisa por uma daquelas raparigas que nunca olhariam para nós, dá nisto. Especialmente quando ela até olha. E presta atenção. Mas não posso escrever sobre isto, porque quero mesmo continuar em negação.

Reencontrei a namorada de quem mais gostei. Adorei vê-la. Só porque ela é boa gente. Não doeu, não fiquei ansioso... Mas fez-me sorrir.

sexta-feira, 2 de Janeiro de 2009

O regresso provisório

Regresso provisório porque amanhã pode não estar a apetecer-me escrever... E se não me apetece, quem me obriga?

Acontecimentos recentes fizeram-me pensar. Sim, tenho 26 anos e já devia ter parado de pensar na vida como ela é e tra lá lá. MAS: que se danem (palavra danem só para não escrever fodam) as teorias.

Penso na vida porque tornei-a relativa. Sinto o meu ego mais pequeno mas mais sólido, mais consciência dos outros, menos preocupado com o vai e vem das coisas pequeninas. Apercebi-me outra vez, talvez da pior forma, que tenho mais sorte do que penso e que devia agradecer (a não sei quem) o que tenho e o que me acontece. Finalmente aquele e-mail que compara o tamanho da terra com outros elementos do espaço faz sentido.

O método é simples: definir objectivos, deitar fora o que não presta e viver apaixonado. Não há tempo a perder, não há obstáculos para travar, não há polícias da má sorte.

Sim, há uma mulher no meio disto. Aliás, há várias mas há uma mais do que as outras. Falo disso noutro post, um dia destes - se estiver a apetecer-me.

Por isso, se o mundo me der permissão, ou mesmo que não dê (!), aqui vou eu: tomar conta da minha vida, conseguir o que quero e desfrutar.

Relembro algo que uma querida amiga me disse (não sei se escrevi neste blog ou no outro...): há mais na vida para viver do que para ler e escrever.

Não estou em nenhuma religião esquisita, para que fique claro.

Por isso, deixo aqui o meu contributo para o mesmo acontecer convosco: vou parar de escrever, para ir ali viver.

(inspira)

(post obrigatório, tendo em conta o anterior; uma pausa no tempo para reflectir)

sexta-feira, 10 de Outubro de 2008

Não está a acontecer comigo

Eu sei que gosto de lamentar-me. Por isso nem vou tentar resistir:

- moro numa casa que não gosto, num sítio que não gosto;
- trabalho para uma empresa que não me diz nada e que tenho vergonha de representar;
- trabalho numa cidade que não gosto,para onde vou porque sempre ganho um dinheiro extra;
- deixei de gostar da minha última namorada e ela diz que só não se suicida para eu não ficar com peso de consciência;
- compro um carro há 3 semanas e descubro que precisa de uma reparação superior a 1000 € - "Então e garantia?" Comprei a um familiar (que ainda por cima não teu culpa nenhuma porque nem saberá que o carro tem aquele problema);
- optei por trabalhar primeiro e estudar depois, com a ajuda do dinheiro do trabalho - a empresa não paga o suficiente e o mundo do mercado de trabalho está bem a cagar para as minhas competências e juventude;
- deixo claro que quero sexo casual, não me aproveito da vontade sufocante que a senhora tem de levar-me "lá a casa conhecer os gatos", sou transparente quanto ao que penso e "o que faço aqui" mas a senhora quer ser a minha melhor amiga e crucifica-me por ser tão frio (às vezes gostava de ser frio: aproveitava-me e pronto!).

Conclusão: vou começar actividade no mercado negro de qualquer coisa, ganhar dinheiro para resolver parte dos problemas anteriores. Como anexo, passo a ser cabrão com as mulheres, seguindo a sugestão de algumas mulheres (Aproveita-te! Com a idade dela, ela supera isso).

Boa!

Gostava que me explicassem, oh crentes no Deus misericordioso, no cosmos, em cartomantes, horóscopo de revista e afins, que mal fiz eu? Será que nenhuma destas crenças é capaz de deixar um rapaz trnquilo viver a sua vida, ganhar dinheiro honesto para viver onde quer, dar a melhor vida possível à mãe e conseguir que uma mulher perceba que sou mesmo honesto e transparente?

É assim tão difícil, porra?

Puta da minha vida!

domingo, 27 de Julho de 2008

Como estão as coisas por aí?

7É a pergunta que mais tenho ouvido nos últimos meses, graças à minha deslocação de Lisboa.

Tanta coisa para contar e por dizer e tão pouca vontade... Ainda não me apetece.

Fica só uma música que conta uma das coisas que poderia ser contada, mas não será porque não me estou para aí virado. E é bom não estar para aí virado.

Obrigado pelas visitas.

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Joy Division - Love Will Tear Us Apart



When routine bites hard and ambitions are low
and resentment rides high but emotions won't grow
And we're changing our ways, taking different roads

Then love, love will tear us apart again
Love, love will tear us apart again

Why is the bedroom so cold? You've turned away on your side
Is my timing that flawed? Our respect runs so dry
Yet there's still this appeal that we've kept through our lives

But love, love will tear us apart again
Love, love will tear us apart again

You cry out in your sleep, all my failings exposed
And there's tast in my mouth as desperation takes hold
Just that something so good just can't function no more

But love, love wil tear us apart again
Love, love will tear us apart again
Love, love will tear us apart again
Love, love will tear us apart again

segunda-feira, 18 de Fevereiro de 2008

Estimadérrima

A cara Meluna foi a terceira vítima blogger dos meus conhecimentos live. Primeiro a Arya, depois a Lélé (e mais alguns bloggers que ainda não incluí nos meus habituais, por preguiça) e agora a Meluna.

Em cada uma destas experiências retiro que é preciso ponderação antes de darmos este passo do real. Eu ponderei, embora tenha vivido a coisa com a paixão de conhecer gente que já conheço mas mal conheço (não parece mas este jogo de palavras faz sentido).

A Meluna, mais a sua luz de modos tímidos (bem disfarçados) e delicados, é mais um exemplo destas boas experiências. A minha opinião a teu respeito, que está associada à cumplicidade que temos uns com os outros, é a que não me enganei mais uma vez e acertei numa rapariga que mais do que gostar de escrever com um tom que me é familiar, gosta de ouvir e de sorrir com a tal graça tímida. O que todos temos em comum, na verdade, é que gostamos de sentir (eu adoro repetir esta ideia).

Foi engraçado estar com a Arya (pela segunda vez) e com a Meluna (pela primeira) e sentir-me despojado a falar dos meus projectos, das minhas ambições, dos meus sentimentos, da minha atitude perante as coisas.

A experiência de conhecer bloggers ao vivo só estaria completa se fosse possível termos um laboratório em que nos conhecêssemos no mundo real, analisássemos o tempo que demorávamos a descobrir cumplicidades e pudéssemos comparar essa experiência isolada desta primeiro-virtual-e-depois-real.

Não sendo possível, recomendo este convívio real com quem sintam que vale a pena. Não me arrependi até agora mas não significa que tal não venha a acontecer.

E vai uma inconfidência: conhecer gente através do mundo real continua a ganhar ao mundo virtual. Quanto muito, o mundo virtual pode ser um transporte, em que temos de escolher as paragens reais certas.

segunda-feira, 11 de Fevereiro de 2008

A vida que teima

A vida teima em ser composta em boa parte por pequenas ironias filhas da puta. Há umas ironias que nos divertem e outras que nem por isso.

Trago de Castelo Branco uma paixão. No dia do regresso ao trabalho, reencontro a ex-namorada no restaurante onde almoço de vez em quando. Diga-se que em meses que trabalho ali (local estipulado como provisório pela empresa), a meros e talvez-incómodos 500 metros do trabalho dela, nunca a tinha encontrado.

Pois ironicamente, hoje foi um dia em que:

- o meu coração já pede o bater de outra pessoa; por isso não bateu mais depressa;
- o meu nariz pede o perfume da menina de Castelo Branco; por isso, a respiração não se alterou;
- o meu corpo só se lembra do calor da paixão nova; por isso, não houve arrepios.

Houve sim, um sincero desejo que esteja tudo bem com ela. Pareceu-me feliz. Tinha o cabelo arranjado, estava elegante, com um ar maduro e tinha uma energia bonita. Não nos falámos. Nem o faremos, excepto se um reencontro de olhos cruzados o obrigue.

Reforço a ideia: a vida dá-nos sinais de coisas que não queremos entender, em movimentos inconstantes e irónicos. Mas este recado, eu acho que percebi e fico com a interpretação só para mim.

domingo, 10 de Fevereiro de 2008

Castelo Branco









Fui terça-feira, em trabalho. Fui, obrigado pela ida anterior dos meus colegas mas com vontade de esquecer-me do que me perturba em Lisboa.

Como sempre, o que trago são as pessoas. Mas as de Castelo Branco são especiais, porque trabalham muito sem se queixarem demasiado, porque se entregam a quem os visita e dão o que têm e mais qualquer coisa. Por comparação impossível, Lisboa é mais competitiva e torna as pessoas mais descartáveis da vida umas das outras. Os albicastrenses gostam mais uns dos outros, são mais gente e chamam-se amigos uns aos outros com uma facilidade assustadora. Gostei.

Ainda por cima, em Castelo Branco surgiu uma menina. Uma menina do tipo gira-que-dói (mas gira mesmo gira), com 22 aninhos, que me dá um sentimento de protecção desmesurado, que me relembra princípios de pureza e simplicidade. Como ela disse: "deixar andar o bote". Mesmo que seja para deixar andar, esta vontade do calor e do cheiro dela, misturado com a loucura de querer apanhar o comboio a toda a hora só para dar um beijo, não passam. E esta coisa apertada da ausência de quem se gosta, é das melhores coisas que se podem sentir. E repetindo o que escrevi no post anterior, o importante é sentir.

Voltarei, claro.

segunda-feira, 21 de Janeiro de 2008

Platonico-te


Invento. Faço uma lista de todos os motivos que não tenho para não gostar de ti. Justificações idiotas, descabidas, sem argumentos. Coisas comparáveis às ervas daninhas, que se multiplicam e se transformam em troncos mentais. Mas troncos de papel, que uma tesoura enferrujada corta.

Sorridente. Com ar de menina. De cabelo ondulado e comprido. Tímida. Corada quando te dizem que és bonita. Pelo menos quando eu digo, o que é agradável.

"Sai-me da frente, porque contigo aí não consigo trabalhar." Pagava para ver-te fazer aquela cara outra vez.

Pelos vistos és descomprometida. Já devia ter-te convidado para não-sei-o-quê.

Invento que não deves ser forte para mim. Que não conseguirás segurar-me. Que vou magoar-te com o meu amor temporário, imediato, intenso e rápido. Não consigo fazê-lo a alguém com essa cara. E com essa voz de pássaro.

Fico-me pela contemplação. Aliás, amanhã vou dizer-te que os piropos acabaram. Que respeito a nossa posição de colegas e a condição hierárquica a que me sujeitam. Mas não vou mentir: vou dizer-te que continuo a achar-te bonita, de uma beleza pura e despida de capas de recipientes de pó.

O que nunca vou dizer-te é que por momentos senti paixão. Talvez um segundo, até ter desistido. Mas foi tanta que me fez esquecer relações com quem não sabe se me quer. Fico sem saber se o que senti por ti foi forte ou o que senti por mais alguém era frágil. Não é importante. Aliás, um dia li algures que o importante era sentir, fosse o que fosse.

domingo, 20 de Janeiro de 2008

Ai desculpe!...

Aqui já tinha escrito sobre o Minipreço. Neste momento apetece-me reformular a minha ideia sobre o Minipreço, porque a ideia de universo paralelo poderá estender-se a todos os supermercados.

Episódio de hoje, passado no Pingo Doce:

Senhora 1: "Olhe, sabe se têm tapetes para a entrada?"
(nota: se fosse comigo, respondia "boa tarde para sim também")
Senhora 2 (voz hesitante): "Não sei, não..."
Senhora 1 (percebendo a voz hesitante da senhora 2): "Não trabalha aqui?"
Senhora 2: "Não..."
Senhora 1: "Como tem uma bata por baixo, pensei que era daqui."
Senhora 2 (com uma voz tudo-menos-hesitante): "É uma saia!!!"
Senhora 1: "Ai desculpe!..."

Desta vez, eu apenas queria vinho e shampoo. Mas uma vez, não precisava desta experiência.

Vou passar a encomendar as minhas compras. A sério que vou!

quinta-feira, 17 de Janeiro de 2008

Som do Croquete 15

Clã - Sexto Andar




Uma canção passou no rádio
E quando o seu sentido
Se parecia apagar
Nos ponteiros do relógio
Encontrou num sexto andar
Alguém que julgou
Que era para si
Em particular
Que a canção estava a falar

E quando a canção morreu
Na frágil onda do ar
Ninguém soube o que ela deu
O que ninguém
estava lá para dar

Um sopro um calafrio
Raio de sol num refrão
Um nexo enchendo o vazio
Tudo isso veio
Numa simples canção

Uma canção passou no rádio
Habitou um sexto andar


Composição: Carlos Tê




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Os Clã são das melhores bandas do planeta. Mesmo que não se goste. É como aqueles que sabem que os Radiohead são génios, ou que o Beck é uma lenda viva, mas os mantêm à distância do seu gosto musical. Por mim, tudo bem.

O último álbum, Cintura, só não terá mais sucesso porque a boa música, experimental, com misturas subtis de coisas de diferentes origens, sem assobios nem palminhas, tranquila e cantada em Português, não vende em massa em Portugal.

Letra, música, post, som do Croquete e vídeo com toda a justiça.

terça-feira, 15 de Janeiro de 2008

Anúncios/Comerciais/Publicidade ou outra palavra relacionada com aquela coisa que passa nos intervalos

Muitos, demasiados, entupidores de cérebro, com músicas nem sempre agradáveis e slogans idiotas.

No instante em que escrevo este post, passa publicidade. Ora reparem se o vosso cérebro não começa a tocar campaínhas, as da memória e as da irritabilidade:

  • Oh seu incompetente: não trata do cliente?
  • A força de acreditar
  • O meu namorado é que me convenceu a ir à Corporación Dermoestética
  • Não somos conhecidos por ter os melhores cirurgiões
  • De 5000 a 10000 euros
  • Já tomou Centrum hoje
  • Turururu tutu rururu turururu tutu ru ru ru tututururu (Optimus...).

(começou uma novela - mudei de canal para aquele que é conhecido por abusar da publicidade)

  • Fascículo e acessórios por €1,00
  • O lugar do cabelo é na cabeça
  • Fui triplicar o saldo da minha tia a Marrocos
  • Auto Emoción
  • Primeiro DVD por €2,99
  • Quando há muco e especturação
  • Enquanto sentir o sabor do bacalhau a nadar em azeite
  • Na Noruega nem sempre é fácil chegar a casa
  • Uma mensagem Sociedade Ponto Verde
  • Chegou o CD com os temas da sua novela
  • Frutas e legumes aos melhores preços
  • Não, não sabe: não está constipado
  • Fónix

(começou uma novela - mudei de canal)

  • Para os fanáticos da cidade
  • É fácil encontrar o dinheiro dos seus sonhos
  • Preços fininhos
  • Pilhas é no pilhão
  • Não deixe que as perdas de urina a façam abrandar
  • Erosão ácida, o que recomenda?
  • Respire melhor, durma melhor
  • Primeiro livro por €3,95
  • As suas fibras especiais atraem e agarram o pó

Pronto, eu desisto... Porra!!!!

Os anúncios dos automóveis ainda são os menos maus. Mesmo esses tiveram aquele dos bonequinhos que só diziam zhmm zhmm que nunca ninguém atendeu.

E como este post é daqueles que só serve para irritar, reparem como o vosso cérebro vai ficar com a cançãozinha da Optimus impregnada na tola [excepto para uns e outros que moram em certos e determinados países que fazem fronteira com Portugal e mais uns que ficam numa ilha :)]. Aliás, acredito que aquela coisa laranja formada por partes mais pequenas e flutuantes que os integrantes do anúncio utilizam não-se-sabe-bem-para-quê-mas-deve-ser-uma-mensagem-muita-gira-e-que-a-Optimus-diz-que-é-Magma-para- impressionar-o-pessoal-e-tentar-que-se-pense-que-aquilo-é-muito-à-frente seja o cérebro de quem ouça aquela música mais do que 30 segundos por dia.

Eh pá, agora estou com vontade de comprar DVD's... Até é um preço jeitoso!

terça-feira, 8 de Janeiro de 2008

Som do Croquete 14


Soulfly - Quilombo






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Ora aí está: uma dos meus tempos de pseudo-metaleiro.

Se não conhecem a banda, é a do ex-vocalista dos Sepultura (Max Cavalera). E os Sepultura são brasileiros (actualmente com um vocalista americano). Se ouvirem a música com muita atenção, reconhecem o estilo e a marca da música Brasileira! Por isso é que eu passei disto para Tom Jobim!

Esqueçam... Estava só a tentar desculpar a minha insanidade musical. Bom, não é só a musical.

Mas fui amigo: escolhi uma música suavezinha.

Ficamos assim, então.

segunda-feira, 7 de Janeiro de 2008

Bom Ano, pá!

(porque mais vale tarde do que nunca)

sexta-feira, 28 de Dezembro de 2007

Melhores dias ou dias menos maus

O meu carro já anda outra vez.

Embora persista a minha resistência emocional ao sexo oposto, a resistência começa a desaparecer e voltei a achar uma rapariga interessante e outra deslumbrante, o que foge aos habituais, frios e insensíveis comentários do sexo masculino (por acaso, sou mais de emitir sons: xiiiiiiiiii, eeeeeihhhhh, uuuuuuu, auuuu) que tanto invadem a minha linguagem em tempos menos apaixonados e de invasores desejos da carne.

Pessoas novas a entrar aos poucos no meu mundo, a quem até me apetece abrir a porta.

O trabalho está pior. E a minha relação com ele também. Deve ser a sensação/esperança de sair em breve. Hoje coloquei a chefia em causa e causei um silêncio incómodo. Azar (deles).

Jantar de Natal da empresa. Não fui, por princípio de miúdo com birra ou de adulto com razão: se poupam dinheiro no meu salário, poupem no meu jantar. Em vez disso, beber copos com família, amigos e miúdas giras. Boa troca, digo eu.

Estou a ler Cal, de José Luís Peixoto. O homem escreve como poucos (diz aqui o leigo e apreciador).

Tenho saudades de uma montanha de gente. Consequências do afastamento a que me sujeitei.

Vem aí 2008. Mudar de emprego e entrar na faculdade. Tem de ser e eu quero que seja.

Estou velho. Estamos em crise. As prendas de aniversário foram de acordo com os dois pressupostos referidos neste parágrafo. Não me importo.

O humor está melhor. O nível de energia está mais alto. Mas este meu cansaço das coisas que me rodeiam, não desaparece.